Brasil, 12 de March de 2010

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Na pele e na memória - Alegrias e conflitos da primeira tatuagem (Parte II)

Por Amana Rodrigues

Assim como o primeiro emprego, a primeira namorada e a primeira “vez”, enfim, como toda primeira grande decisão que tomamos, a primeira tatuagem também vem acompanhada de muita ansiedade, nervosismo e até um pouco de medo. Há também um enorme desejo de conquista e realização nas as pessoas que almejam tê-la, mas isto deve sempre vir acompanhado com uma carga extra de consciência e responsabilidade:O interessado, para conhecer a qualidade do trabalho do tatuador, deve pedir referências de trabalhos anteriores e observar bem o ambiente, verse é tudo limpo, dentro das normas e agradável. Lembrando sempre que o barato pode sair caro”, alerta o tatuador Shimizu, de São Paulo.

Para muitas pessoas, o sonho da primeira tatuagem está a um passo, para outras, um pouco mais longe. O fato é que não de trata de um procedimento simples e muito menos barato. Há pessoas que querem ter uma tatuagem, mas não têm o desenho, por exemplo, outras não têm a coragem, outras não têm iniciativa e outras não têm o dinheiro. Sim, não é só a decisão que as pessoas precisam tomar, uma tatuagem de boa qualidade, quase sempre requer também um bom investimento, afinal, são o fruto de um trabalho profissional, como qualquer outro. Para Gustavo Rodrigues, de Ribeirão Pires - SP, "só falta a grana!", ele se diz prontíssimo em todos os outros aspectos. E assim também estão muitos outros aspirantes a tatuados. Mesmo assim, Shimizu ainda ressalta que a pessoa que quer fazer uma tatuagem deve ter consciência de que o desenho não vai mais sair de sua pele, a não ser com uma cirurgia e que, por conta disso, sua preocupação maior não deve ser em pechinchar preços, mas em procurar bons profissionais e bom estúdios para se tatuar. E ele tem razão: as pessoas devem se lembrar que tatuagem não envolve apenas arte e estética, mas também saúde e bem estar, que podem ser muito comprometidos por um procedimento irresponsável ou um resultado ruim.

Eduardo Brand, diretor do documentário "Tatuagem: Pele Registrada", conta que o objetivo de seu filme era mesmo o de entrar em contato com os diferentes grupos de tatuados e saber o que leva cada um fazer a sua tatuagem. "O que eu descobri é que não existe apenas uma boa razão pra as pessoas terem a sua tatuagem, existem várias, há desde a pessoa que faz porque se sente carente e quer que olhem pra ela, à pessoa que faz por puro modismo. Tem gente que não está nem aí pro que vai tatuar e escolhe na hora e outros que passam anos com o desenho pronto esperando o momento certo. Não existe regra, tem gente acha até que o barato é sentir a dor (que eu, particulamente, odeio), ou que a tatuagem tem que ser grande ou que existem certos lugares especificos pra cada sexo.

Realizar o desejo de se tornar um tatuado ou tatuada, envolve muito mais do que aparentemente se imagina. Por fim, também é muito importante se pensar no que implicará, agora ou no futuro, o fato de ter uma tatuagem. Há quem não se importe com esta questão por um motivo ideológico ou por ter feito uma escolha de vida que lhe permita pensar assim, mas o fato é que, infelizmente, a tatuagem ainda é motivo de discriminação e isso deve ser pesado, sim, e com muita responsabilidade.

"Para determinadas carreiras, isso não faz diferença, pra outras é certo que vai haver descriminação. No documentário há depoimentos de vários profissionais como um promotor público e um editor de jornal que dizem que se você for bom, sempre pode superar o preconceito, mas que, de qualquer forma, isso não é uma coisa fácil."- Conta Eduardo -: "Ainda acho" - diz- "é que se deveria esperar pelo menos uns dezoito a vinte e poucos anos de idade, pois nossa cabeça muda muito, antes disso. Eu mesmo, recentemente, cobri minha primeira tatuagem, que fiz aos dezessete." . E deixa um recado para quem está prestes a realizar seu sonho: "- Faça sua tatuagem do jeito que você quiser, mas faça valer a pena!"

É isso aí, futuros tatuados!

Boa Sorte e sejam bem vindos ao time das pessoas coloridas!

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Flávia, 26 anos. São Paulo - SP

Aos 19 anos, eu trabalhava junto com uma grande amiga minha em uma loja onde também tinha tatuagens e piercings. Então decidimos nos tatuar com alguma coisa que marcasse a nossa amizade. Isso já faz sete ano e ela é minha amiga até hoje, aliás ela ainda é a minha melhor amiga e espero que seja para sempre. Escolhemos o desenho, um símbolo japonês que significa amizade. Ela fez de preto no braço e eu fiz de vermelho nas costas, acrescentei uma uma flor- de- lótus, pois quis dar uma incrementada com outros elementos que eu gostava bastante.

Pedro, 26 anos. Belo Horizonte- MG

Foi um amigo meu que me tatuou, isso faz uns oito anos, já. O desenho da minha primeira tatuagem foi escolhido na capa de um CD do DJ Shadow que é maravilhosa e se parece com o meu jeito de desenhar. Minha primeira, que também é minha única tatuagem é a imagem de uma carranca, que pode afastar os maus espíritos e me proteger. Gostei muito dela, apesar de nem tê-la terminado. Assim, do jeito que está, acabou ficando com ainda com a cara dos meus desenhos, achei legal e decidi parar por aí mesmo.


Agenor, 62 anos. Rio de Janeiro - RJ

Fui criado no Jardim Botânico e fiz a minha primeira tatuagem em 1957, num barraco de favela aqui no Rio, onde as tatuagens se faziam com três agulhas amarradas com linha e molhadas do nanquim, uma coisa bem primitiva, né?, Era um São Jorge bem no peito.Ttive que dar um espaço grande de tempo, porque na ocasião a tatuagem era uma coisa muito mal vista na sociedade e eu tinha apenas 14 anos. Aos 17 eu quis ingressar no exército como voluntário para ser pára-quedista, mas como eu tinha tatuagem, fui impedido. Quando fiz 19, eu fui obrigado a tirar estas tatuagens para conseguir um determinado emprego. Na ocasião, o meu pai conhecia o Ivo Pitanguy e na Santa Casa de Misericórdia havia o setor de plástica coordenado por ele. Fiz a raspagem, consegui o emprego e seis anos de pois eu comecei a fazer novamente tatuagens pelo meu corpo. A minha nova primeira tatuagem foi uma adaga que tenho no antebraço, feita pelo Thiés, que na ocasião ainda tinha 17 anos. Hoje eu tenho 90% do corpo tatuado. Só este ano eu já fiz mais seis. As próximas serão nas nádegas: um sol e uma lua, um de cada lado.

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