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Para muitas pessoas, o sonho da primeira
tatuagem está a um passo, para outras, um pouco
mais longe. O fato é que não de trata
de um procedimento simples e muito menos barato. Há
pessoas que querem ter uma tatuagem, mas não
têm o desenho, por exemplo, outras não
têm a coragem, outras não têm iniciativa
e outras não têm o dinheiro. Sim, não
é só a decisão que as pessoas precisam
tomar, uma tatuagem de boa qualidade, quase sempre requer
também um bom investimento, afinal, são
o fruto de um trabalho profissional, como qualquer outro.
Para Gustavo Rodrigues, de Ribeirão Pires - SP,
"só falta a grana!", ele se
diz prontíssimo em todos os outros aspectos.
E assim também estão muitos outros aspirantes
a tatuados. Mesmo assim, Shimizu ainda ressalta que
a pessoa que quer fazer uma tatuagem deve ter consciência
de que o desenho não vai mais sair de sua pele,
a não ser com uma cirurgia e que, por conta disso,
sua preocupação maior não deve
ser em pechinchar preços, mas em procurar bons
profissionais e bom estúdios para se tatuar.
E ele tem razão: as pessoas devem se lembrar
que tatuagem não envolve apenas arte e estética,
mas também saúde e bem estar, que podem
ser muito comprometidos por um procedimento irresponsável
ou um resultado ruim.
Eduardo Brand, diretor do documentário "Tatuagem:
Pele Registrada", conta que o objetivo de seu filme
era mesmo o de entrar em contato com os diferentes grupos
de tatuados e saber o que leva cada um fazer a sua tatuagem.
"O que eu descobri é que não existe
apenas uma boa razão pra as pessoas terem a sua
tatuagem, existem várias, há desde a pessoa
que faz porque se sente carente e quer que olhem pra ela,
à pessoa que faz por puro modismo. Tem gente que
não está nem aí pro que vai tatuar
e escolhe na hora e outros que passam anos com o desenho
pronto esperando o momento certo. Não existe regra,
tem gente acha até que o barato é sentir
a dor (que eu, particulamente, odeio), ou que a tatuagem
tem que ser grande ou que existem certos lugares especificos
pra cada sexo.
Realizar o desejo de se tornar um tatuado
ou tatuada, envolve muito mais do que aparentemente
se imagina. Por fim, também é muito importante
se pensar no que implicará, agora ou no futuro,
o fato de ter uma tatuagem. Há quem não
se importe com esta questão por um motivo ideológico
ou por ter feito uma escolha de vida que lhe permita
pensar assim, mas o fato é que, infelizmente,
a tatuagem ainda é motivo de discriminação
e isso deve ser pesado, sim, e com muita responsabilidade.
"Para determinadas carreiras,
isso não faz diferença, pra outras é
certo que vai haver descriminação.
No documentário há depoimentos de vários
profissionais como um promotor público e um editor
de jornal que dizem que se você for bom, sempre
pode superar o preconceito, mas que, de qualquer forma,
isso não é uma coisa fácil."-
Conta Eduardo -: "Ainda acho" - diz-
"é que se deveria esperar pelo menos
uns dezoito a vinte e poucos anos de idade, pois nossa
cabeça muda muito, antes disso. Eu mesmo, recentemente,
cobri minha primeira tatuagem, que fiz aos dezessete."
. E deixa um recado para quem está prestes a
realizar seu sonho: "- Faça sua tatuagem
do jeito que você quiser, mas faça valer
a pena!"
É isso aí, futuros tatuados!
Boa Sorte e sejam bem vindos ao time das pessoas coloridas!
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Agenor,
62 anos. Rio de Janeiro - RJ
Fui criado no Jardim Botânico e fiz
a minha primeira tatuagem em 1957, num barraco
de favela aqui no Rio, onde as tatuagens
se faziam com três agulhas amarradas
com linha e molhadas do nanquim, uma coisa
bem primitiva, né?, Era um São
Jorge bem no peito.Ttive que dar um espaço
grande de tempo, porque na ocasião
a tatuagem era uma coisa muito mal vista
na sociedade e eu tinha apenas 14 anos.
Aos 17 eu quis ingressar no exército
como voluntário para ser pára-quedista,
mas como eu tinha tatuagem, fui impedido.
Quando fiz 19, eu fui obrigado a tirar estas
tatuagens para conseguir um determinado
emprego. Na ocasião, o meu pai conhecia
o Ivo Pitanguy e na Santa Casa de Misericórdia
havia o setor de plástica coordenado
por ele. Fiz a raspagem, consegui o emprego
e seis anos de pois eu comecei a fazer novamente
tatuagens pelo meu corpo. A minha nova primeira
tatuagem foi uma adaga que tenho no antebraço,
feita pelo Thiés, que na ocasião
ainda tinha 17 anos. Hoje eu tenho 90% do
corpo tatuado. Só este ano eu já
fiz mais seis. As próximas serão
nas nádegas: um sol e uma lua, um
de cada lado.
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