Origens da máquina elétrica de tatuagem

Por Francine Oliveira Publicado em 19 de setembro de 2013

Origens da máquina elétrica de tatuagem

A invenção da máquina de tatuagem foi, na verdade, resultado de um longo processo de descobertas de mais de 80 anos que teve início no século XIX, período de grandes avanços científicos e tecnológicos.

Em 1820, o dinamarquês Hans Christian Ørsted teorizou sobre a corrente elétrica induzir campos magnéticos, mas não foi capaz de provar matematicamente a relação entre o fluxo da corrente e o campo magnético, o que foi feito apenas uma semana depois por André-Marie Ampère, cujas descobertas foram exploradas ainda por Faraday, Maxwell e Hertz. Em 1825, William Sturgeon percebeu que era possível aumentar um campo elétrico enrolando um fio e cobre ao redor de um núcleo de ferro, descobrindo, assim, o eletroímã. A descoberta de Sturgeon foi significativamente desenvolvida pelo cientista americano Joseph Henry, ao isolar os fios de cobre com seda, construindo um eletroímã bem mais poderoso, em 1827. Os eletroímãs usados nas máquinas modernas de tatuagem seguem, até hoje, um modelo bastante parecido com o daqueles criados por Sturgeon e Henry. Foi Sturgeon também o responsável por demonstrar, de forma prática, o funcionamento dos primeiros motores de corrente direta em 1832.


Thomas Edison, um grande inventor e estudioso do eletromagnetismo patenteou, em 1876, a “caneta elétrica”, cujo funcionamento requeria o uso de baterias de célula úmida, vários fios, uma espécie de prensa de ferro fundido com um rolo de tinta, e a caneta elétrica movida a motor. O objetivo da caneta era perfurar o papel, criando uma cópia em estêncil do documento. A caneta não foi muito bem sucedida comercialmente para Edison, mas sua patente foi comprada por A. B. Dick, proprietário de uma grande fabricante de copiadoras e materiais para escritório do fim do século XIX. Em 1877, Thomas Edison patenteou outro invento, uma versão da caneta movida com duas bobinas que, vibrando, geravam o movimento necessário para que a caneta fizesse a cópia.



Foi o nova-iorquino Samuel F. O’Reilly que percebeu que a caneta elétrica poderia ser adaptada para se tornar uma máquina de tatuagem e decidiu modifica-la, preenchendo a patente em 1891, com um desenho claramente baseado no protótipo de Edison.


Apenas vinte dias após O’Reilly registrar sua máquina, o londrino Tom Riley também preencheu a patente para uma máquina de tatuagem movida com apenas uma bobina e, apesar das controvérsias, o modelo de Tom Riley é reconhecido como o mais próximo das máquinas atuais. Anos depois, em 1904, Charlie Wagner, também de Nova York, registrou outra patente para uma máquina de tatuagem, desta vez com duas bobinas. Uma das melhoras, que não se sabe se atribuíveis a O'Reilly ou a Wagner, foi o tubo para receber a tinta. E em 1929 o design que mais relacionamos à máquina de tattoo foi patenteado para outro dispositivo, por Percy Waters, de Detroit. Todos os protótipos iniciais das máquinas eram movidos à bateria.



Apesar de não ter sido o primeiro a trabalhar com esse protótipo, Waters foi o primeiro a registra-lo em seu nome - e os rascunhos anteriores permanecem anônimos. A máquina eletromagnética movida a partir de duas bobinas incluía um pequeno interruptor para ligar e desligar, um "escudo" metálico e uma agulha para cortar estênceis de plástico. Produzindo diversas máquinas de tipos e estilos variados, Waters parece ter sido o único a conseguir comercializar sua máquina em maior escala.



Somente em 1979, 50 anos depois, uma nova máquina, especificamente para a tatuagem, seria registrada por Carol Nightingale, em Washington D. C., que desenvolveu um aparelho bastante elaborado, com parafuso de contato, possibilidade de ajuste das bobinas, feixes de mola com tamanhos diferentes, para adequação aos trabalhos e a "armadura" que deixava a agulha em ângulo totalmente vertical.

Como podemos notar, é difícil estabelecer uma história linear desse instrumento que continua a ser reinventado até os dias de hoje. Muitos fabricantes ainda tentam criar novos formatos, melhores funcionalidades, tornar as máquinas mais leves, menos barulhentas... como disse no início do texto, é um processo, o qual ainda toma o tempo de todos os que se envolvem com a tatuagem, desde os desenvolvedores, que procuram oferecer materiais mais duráveis e dinâmicos até os artistas, que estão sempre em busca da máquina ideal para suas necessidades.


Fontes: Tattoo Tatuagem; Tattoo Archive; Inventors; Imperial Tattoo Supply


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