Sua carreira profissional como tatuador já beira os 10 anos de existência. Neste caminho você encontrou muita dificuldade até ser reconhecido por sua arte e competência?
Com certeza, várias dificuldades, mas a mais relevante foi o preconceito. Muitos achavam que eu era vagabundo não queria trabalhar e que tatuagem não dava para sobreviver. Os únicos que me apoiaram e acreditaram no meu potencial foram meus pais e minha esposa.
Qual é a postura que um tatuador deve tomar diante da sociedade, a partir do momento em que opta por esta profissão?
O essencial é acreditar em si mesmo e correr atrás dos seus objetivos
Você, como a maioria dos tatuadores, teve que quebrar a cabeça ao longo dos anos para desvendar os segredos de uma boa tatuagem. Qual é o caminho ideal, na sua opinião, para quem quer iniciar a carreira de tatuador mas ainda não tem experiência?
Seu gosto por desenhos vem desde a infância e provavelmente se manteve até que se tornou um tatuador. Você teve o incentivo da família para ter uma atividade artística durante a infância ou este dom passou despercebido aos olhos adultos?
Aos quatro anos, desenhei um dinossauro e uma cidade submarina, assim conta minha mãe (risos) e neste momento ela identificou meu dom. A partir daí, passei a receber o incentivo dos meus pais e amigos da família. Me deram livros de desenho e materiais para desenhar. Aos doze anos ganhei uma revista de tattoo e então uni as duas coisas.
A educação ou a percepção artística dos familiares contam muito, geralmente, na hora de um jovem se interessar ou não pela arte, na sua opinião?
Sem dúvida. O artista sem incentivo acaba se dispersando do caminho da arte por conta de outros valores e acaba não sendo valorizado. Ser artistas não significa (para muitos) ser um profissional e em inúmeras situações o incentivo da família é para se fazer uma faculdade e ser “doutor” (risos), senão você é vagabundo. Isso sem dúvida é mais explícito no Brasil, até mesmo por conta da nossa cultura. Para a maioria dos nossos pais, para sermos dignos, precisamos usar terno, gravata, ter carteira assinada e bater cartão.
Fale um pouco do estilo de tatuagem com o que mais você se identifica:
Estilo Realista, porque eu posso no final do trabalho, compará-lo à realidade.
Como um cliente pode identificar se um tatuador utiliza um material de qualidade?
No primeiro momento, seria pesquisar trabalhos do artista, mas é muito importante não apenas ver o trabalho, ver também a assepsia do local e a procedência do material. Esterilização (autoclave) para materiais esterilizáveis como biqueiras; materiais descartáveis como agulhas, batoques (recipientes para tinta), luvas, máscaras, aventais, etc. E para os tatuadores, hoje em di,a é muito fácil adquirir materiais de qualidade. Não precisam ser importados, pois existem empresas brasileiras em que o material é igual o melhor que os importados e os fabricantes dão todo o suporte necessário.
Para quem é leigo no assunto, que detalhes técnicos poderiam caracterizar
visualmente uma boa ou má tatuagem em estilo realista?
O mais próximo do real.
Você já participou de muitas convenções nas quais recebeu diversos prêmios de melhores trabalhos. Esses concursos têm ajudado os tatuadores a melhorar suas carreiras?
Muito, pois nos estimula a buscar fazer sempre algo novo e sempre o melhor querendo chegar sempre a perfeição.
Que outros eventos, palestras ou seminários são significativos para os tatuadores, além das convenções de tatuagem?
Cursos e palestras relacionados a biosegurança, primeiros socorros, dermopigmentação ,desenho e etc.
Você tem uma filha ainda bebê. Como você imagina que será a visão dela sobre a sua profissão e a tatuagem em si quando for adolescente?
(Risos) Será muito diferente da visão dos meus pais quando adolescentes. A tatuagem vem se “homogeneizando” na sociedade e vem evoluindo, rompendo as barreiras do preconceito.