Desde quando está em Portugal?
Cheguei em Portugal no ano de 1992. Antes disso, no Brasil, dividia meu tempo entre os estudos, fazia informática e o surf, uma paixão que me acompanha até hoje.
Sabemos que no Brasil, o surf tem grande ligação com a tatuagem, pelo grande número de surfistas adeptos da arte de adornar o corpo, isso também acontece em Portugal?
Bom, aqui em portugal, hoje em dia, acontece o mesmo que no Brasil. Os surfistas, na maior parte são adeptos da tatuagem. E penso que isso acontece com mais impacto na região da Grande Lisboa.
Você já está em Portugal há 15 anos, com certeza viu a tatuagem portuguesa evoluir neste tempo. Como eram as tatuagens em Portugal naquela época em que chegou?
Quando cheguei em Portugal, já trazia no corpo três tatuagens feitas no Brasil e quando andava na praia muitas pessoas vinham me perguntar onde eu tinha feito minhas tatuagens, porque naquela época, a oferta de profissionais era quase inexistente, visto que só haviam dois estudios de tatuagens em Lisboa. Para fazer uma tatuagem nesses estudios era preciso marcar com seis meses de antecedência. Geralmente, as tatuagens que eu via eram feitas artesanalmente, com agulhas amarradas e tinta nanquim.
Os seus conhecimentos em informática, hoje em dia, auxiliam na sua profissão?
Hoje em dia, eu acho que é essencial ter um computador no estudio, pois facilita e muito a vida dos tatuadores. E na net existe muito material para perquisa e muita referência, sem falar na troca de informações entre tatuadores, mas para isso é bom ter um pequeno conhecimento de informática. Eu utilizo, sem dúvidas, o conhecimento que adquiri .
De onde vem a sua paixão pela tatuagem?
A paixão pela tatuagem começou ainda muito novo, visto que meu avô materno tinha o corpo todo coberto de tatuagens, muitas feitas por ele mesmo, antes de ir para segunda guerra mundial. Fiz minha primeira tatuagem aos 16 anos, um unicórnio na parte de dentro do braço, a primeira de muitas.
Saberia nos dizer mais sobre estas tatuagens do seu avô?
Meu avô se tatuou antes de ir pra segunda guerra, portanto, o material utilizado provavelmente foi muito rudimentar. Sei que algumas tinham motivos religiosos, lembro que tinha uma cruz na mão, algumas mulheres, tinha também uma cobra enrrolada, não me lembro se no braço ou na perna, mas essas eram só algumas entre muitas que ele trazia no corpo, mas não sei bem o que significavam para ele.
Você precisou de alguma autorização especial para se tatuar aos 16 anos?
Me lembro perfeitamente do dia em que fui fazer a minha primeira tatuagem ainda no Brasil, a maioria dos meus amigos tinham tatuagens feitas pelo Wallace (tatuador que me tatuou e que tatua até hoje em Guarulhos) e um deles me levou lá. Quando cheguei no estudio ele me perguntou se meus pais deixavam eu me tatuar e eu disse que não tinha problemas.
Como começou a tatuar em Portugal?
Já em Portugal, trabalhei cerca de 8 anos na noite de Lisboa, onde nos últimos anos trabalhei como D.J. Depois disso, fui proprietário de uma loja de música onde um amigo fazia tatuagens. Tempos mais tarde, esse mesmo amigo abriu uma loja de tatuagens onde fui trabalhar como atendente. Fui aprendendo a tatuar e colocar piercings. Trabalhei com ele alguns meses, depois disso fiquei tatuando em casa quase 1 ano, onde aprimorei um pouco mais a tecnica de tatuar, uma arte que é um eterno aprendizado. Por convite de outros dois amigos, abrimos uma loja de tatuagem que se chamava Casa d'Arte, mas a sociedade terminou uns meses mais tarde. Assim, abri a Pedrada Tattoo onde me encontro hoje, já há 4 anos.
Qual é seu estilo predileto pra tatuar?
Quando comecei a tatuar gostava muito de new shcool, hoje em dia gosto de tudo um pouco, mas o meu estilo preferido é, sem dúvidas, o realismo a preto e branco.
Apesar de estar em Portugal já há muitos anos, você ainda mantém contato com tatuadores brasileiros?
Nesses ultimos 4 anos, a Pedrada Tattoo tem recebido alguns profissionais brasileiros, nomeadamente Lico de mundo daTattoo, Dom Costa, Marcio Lemes, Albert, Marcão do Rio de Janeiro, Marinho, Snoopy de São Paulo, Cicciolina, Clayton e Marcelo de natal, entre outros. Com eles fui adquirindo ensinamentos, técnicas e informações importantes para a evolução de qualquer profissional.
Participa de convenções pela Europa?
Juntamente com alguns destes profissionais brasileiros, participei de algumas convenções pela Europa, tais como a de Madrid, Roma, Valência, Lisboa, Lago de Sanábria, Amsterdan, entre outras, tendo ganho alguns prêmios em algumas delas.
O que acontece de mais importante nesses eventos, na sua opinião?
Na minha opinião, o mais importante é sem dúvidas a troca de informações, também é muito bom para reencontrar amigos, que só temos a oportunidade de ver nas convenções. É muito bom também para fazer contatos profissionais, trocar desenhos, adquirir novas técnicas , conhecimentos, divulgação de trabalhos, entre outras coisas.
Como você descreveria a cena atual da tatuagem em Portugal, em relação à valorização da arte, legislação, biossegurança, etc?
A tatuagem em Portugal está evoluindo a cada dia que passa e isso vê-se na qualidade de trabalhos feitos em Portugal hoje em dia. Outro ponto importante é, sem dúvidas, a cada vez melhor infra-estrutura de grande parte dos estúdios que conheço e a facilidade que temos em adquirir materias de qualidade. Infelizmente, ainda não existe legislação vigorando em Portugal sobre os estúdios de tatuagem, mas pelo que sei, está prevista para breve.