Entrevistas


  • Fernando Shimizu

  • São Paulo / SP
Fernando Shimizu
São Paulo / SP
Por: Amana Rodrigues


Como foram suas primeiras tatuagens?
Já tatuo há 10 anos e lembro da primeira tattoo como se a tivesse feito ontem. Foi um tribal no braço de um cara que passava na rua no momento em que eu cheguei em casa com a máquina que meu pai me deu. Ficou tosca, mas a partir daquele momento não parei mais, fui fazendo várias, uma pior que a outra (risos). Aí fui ganhando conhecimento e aprendendo, como aprendo até hoje.

No início de sua carreira, muito mais do que compreendido pela família, você foi incentivado pelo seu pai, que inclusive financiou seus primeiros equipamentos de tatuagem e deu todo o apoio de que precisava. Como isto influenciou sua carreira?
Se não fosse por meu pai, eu não estaria dando esta entrevista, seu incentivo foi fundamental. Além dele, minha mãe, meus irmãos e minha futura esposa também foram muito importantes na minha carreira, pois sem este apoio e minha persistência, eu não teria dado seqüência ao meu trabalho. Tive muita sorte de ter as pessoas que amo do meu lado, pois muitos tatuadores iniciantes não têm o apoio que tive da família e acabam desistindo, enquanto poderiam, com a pratica e a técnica, se tornar grandes tatuadores.

E fora de casa, como foi cair no mundo e contar com o apoio de outros tatuadores?
No dia em que fui comprar a primeira máquina, no centro de São Paulo, cheguei sem ter conhecimento nenhum e, percebendo isso, alguns tatuadores muito espertos aproveitaram minha ignorância e me venderam um material de péssima qualidade. Não me davam informação alguma e eu só tomava portada na cara, até que o tatuador Tuka da galeria do Rock me ajudou dando uns toques, coisas básicas, mas fiquei muito grato pela ajuda. Daí, fui conhecendo tatuadores como Antonio Mai, que me ensinou muitas técnicas e me disse que se eu queria tatuar de verdade tinha que comprar uma máquina decente, pois a que eu usava não estava me ajudando. (risos) Então, juntei todo dinheiro que tinha e comprei uma Micky Sharpz Hibrid. Meus trampos mudaram da água para o vinho!

Quando você sentiu que já era um profissional?
Quando abri o estúdio no ano de 2000.

Hoje em dia, você abre as portas para que novos tatuadores possam aprender com você?
Claro! Penso no que passei e não desejo isso pra ninguém! Sempre que alguém me pede alguma dica ou alguma informação sobre tatuagem, que esteja ao meu alcance, ajudo com o maior prazer. Quem sabe esta pessoa não se torna um ótimo tatuador?!

Você sempre participa das convenções de tatuagem e de seus concursos?
Sempre que possível, participo. Já perdi a conta de quantas já participei.

Percebi no seu site, que você já ganhou vários prêmios, em grandes Convenções, pelas suas tatuagens tribais. Este é seu estilo predileto para tatuar?
Gosto muito de tribais, mas de tribais grandes, como aqueles com os quais ganhei os prêmios, mas não é meu estilo preferido. Na verdade gosto de todos, mas prefiro os que têm muitas cores e efeitos.

Assim como toda técnica, a tatuagem está em constante evolução. O que um tatuador deve fazer para se manter sempre atualizado?
Participar de convenções, trocar técnicas com outros tatuadores e antes de tudo, aprender sobre desenho, pois é o mínimo que se deve saber para ser um tatuador.

O nome de seu estúdio é uma homenagem ao seu pai. Você fez ou faria uma tatuagem em seu corpo homenageando alguém?
Tenho meu pai tatuado nas costas, foi uma homenagem que fiz depois que ele faleceu. Sou totalmente a favor das pessoas tatuarem entes queridos, pois é uma homenagem que se carrega para o resto da vida, mas deve-se tomar muito cuidado antes de fazer este tipo de tatuagem.

Em relação à tatuagem, quais foram suas maiores conquistas?
Os prêmios que conquistei nas convenções são muito importantes para minha carreira, mas nem se comparam às amizades que fiz com tatuadores e o respeito deles para com o meu trabalho.

Além da tatuagem, você também trabalha com designer gráfico e como web designer. Este trabalho influencia na sua profissão como tatuador?
Sim, inclusive fui eu que fiz todo meu site, mas sou é tatuador. Ser designer tornou-se um hobby que me ajuda muito na loja, quando um cliente meu tem dúvidas sobre o desenho que escolheu, eu tiro um foto digital do local onde ele quer tatuar e faço uma montagem com o desenho sobre a foto dele. Com isso, dá para ter uma boa noção de como irá ficar depois de pronto. Muitos clientes me procuram por eu oferecer este serviço, mas nenhuma tecnologia no ramo da tatuagem supera os trabalhos free hand.

O que tem acontecido de mais importante no universo da tatuagem brasileira, na sua opinião?
O nível da tatuagem no Brasil subiu muito, temos tatuadores bons em todas as regiões do país, as Convenções estão cada vez melhores, apesar das palhaçadas que acontecem em algumas, os tatuadores brasileiros são muito bem vistos fora do país, quando os gringos vêm pra cá ficam de boca aberta com a qualidade dos trabalhos... Tudo isso é uma grande evolução para a tatuagem brasileira.

O que você diria a quem deseja começar a tatuar profissionalmente?
Comece tendo o bom senso. Bom senso no sentido de olhar para um trabalho que fez e você mesmo se julgar e ver onde estão os erros, onde você pode melhorar e daí por diante. Isso lhe dará uma grande base no seu trabalho. Inicialmente, não vise lucro, pois dinheiro na tatuagem é conseqüência de um bom trabalho. Como você poderá ganhar dinheiro e ser respeitado fazendo trabalhos ruins? Procure conhecer tatuadores mais experientes e não perca oportunidades de fazer perguntas para tirar suas dúvidas. Seja humilde e não se abale caso alguém feche a porta na sua cara, pois tudo tem sua hora. Eu nunca pensei que estaria onde estou hoje, tudo foi acontecendo e graças a Deus deu certo, porque eu não ficava encanado em me dar bem, apenas fazia o que eu mais gostava: tatuar! Agradeço a Deus por tudo.