Como é trabalhar em família?
Putz! É bem legal! É importante você ter um bom ambiente para trabalhar, isso ajuda muito.
Além da tatuagem feita com máquina elétrica, você também pratica o Tebori, técnica oriental de tatuagem, em que se utilizam varetas próprias para este fim. Quem são as pessoas que optam por esta técnica?
Geralmente são pessoas que conhecem um pouco do estilo japonês.
O que lhe dá mais prazer em seu trabalho com a tatuagem?
O que realmente me dá prazer é quando chega alguém que conhece meu trabalho e me dá liberdade para criar. Independente de ser ou não, uma tatuagem do “Nihon” ou um desenho realista, que são meus estilos. O importante é que seja uma criação minha. É muito comum os clientes chegarem com revistas, querendo algo que foi publicado. Eu acho que a tatuagem é feita, primeiro para um novo tipo de estética corporal e depois para que você seja diferenciado das outras pessoas. Então, nada mais certo que se fazer uma tatuagem exclusiva e é isso que todos os tatuadores deveriam fazer para que os clientes se apeguem ao estilo do profissional.
O que é essencial em um estúdio, além de bons tatuadores e body piercers, para que dê tudo certo?
Profissionalismo e ética no mercado, nada além disto.
Porque decidiu se filiar ao STP-SP (Sindicato dos Tatuadores e Body Piercers do Estado de São Paulo)?
Porque acho que se cada um fizer a sua parte, a coisa começa a andar.
Qual é a importância desse tipo de associação, na sua opinião?
Acho que tudo que é feito no sentido de organizar o mercado pode ser bom para todos.
Você já teve a experiência de trabalhar algum tempo na Argentina. Como é visão popular dos nossos visinhos em relação à tatuagem?
A tatuagem na Argentina é muito nova, não tem mais que trinta anos, mas isso não a diminui em nada, pois lá existe muito profissionalismo. O maior exemplo é a revista “Piel”, quem já teve uma na mão, sabe do que eu estou falando. É uma revista especificada para tatuadores e pessoas que realmente gostam de tatuagem e body mods em geral. O investimento é alto, mas o retorno benéfico para a tatuagem argentina é absurdo. Não é só a grana que influencia nessa hora e sim a arte. Tatuagem não é comércio.
Em que outros países, que não o Brasil, você já participou de eventos relativos à tatuagem?
Além da Argentina, também já estive no Uruguai, Espanha e Portugal, onde pude acompanhar uma reunião do Sindicato dos Tatuadores de Lisboa. A organização lá é bem forte.
Como os trabalhos brasileiros são vistos lá fora?
No geral, somos vistos como bons tatuadores, pois aqui no Brasil temos que ser muito versáteis. Fazemos de tudo. O mesmo tatuador que faz uma fotografia tem que fazer três estrelinhas... Isso, lá, não acontece. Os tatuadores que se destacam são os que criam direto na pele.
O 108 Tattoo Family tem um site específico, uma comunidade no Orkut e você tem uma galeria com seus trabalhos no Portal Tattoo. A Internet tem influenciado economicamente no universo da tatuagem?
Muito, pois é uma grande forma de divulgação em massa.
Seu estúdio está sempre presente em algumas das mais importantes convenções do país. O que mudou depois que as convenções se tornaram populares como são hoje?
Tudo mudou. O mercado da tatuagem vem caindo a cada dia. As convenções deveriam ter alguns critérios nos estandes, afinal elas deveriam ser feitas para que o público veja o que realmente é a tatuagem brasileira, mas, na verdade, não é bem isso que acontece. Participo de convenções, regularmente, desde 1997, quando a maior convenção tinha apenas 80 estandes, hoje são 173.
A premiação sempre foi feita às escondidas, revelando ao público somente os ganhadores, facilitando assim, toda e qualquer manipulação de resultados. Todo mundo vê isto, mas ninguém se manifesta, já cansei de ver isto acontecer. Grandes nomes da tatuagem brasileira estão sumindo das convenções. Acho que as pessoas que organizam este tipo de evento deveriam valorizar mais os verdadeiros profissionais e não só aqueles que fazem bonitas tatuagens.
Em 2004, você participou do filme "Garotas do ABC" do diretor Carlos Reichenbach, como foi esta experiência?
Já fiz vários trabalhos com publicidade e este foi só mais um bico (risos).
Além disso, você já se enredou em outros tipos de manifestações artísticas?
Eu gosto de quase tudo relacionado ao desenho, então procuro, sempre que posso, estar criando algo diferente.
E a sua pele, você põe nas mãos de quem?
Hoje em dia eu tomo muito cuidado com isso, porque não basta você fazer uma tatuagem com “tal tatuador”. Acho que você tem que ter simpatia pelo artista, para que não carregue o trabalho de qualquer um. No meu corpo, tenho vários trabalhos de vários artistas, mas hoje em dia estou tatuando com o Zero, que tem uma puta paciência.