Entrevistas


  • Luiza Fortes

  • Rio de Janeiro / RJ
    Studio:Art Factory
Luiza Fortes
Rio de Janeiro / RJ
Studio:Art Factory

1 - O que despertou em você a vontade de se tornar uma tatuadora?

Tatuo desde meus 18 anos(amigos e conhecidos),mas profissionalmente há um ano. Quando fui fazer minha segunda tatuagem, quem me atendeu foi uma tatuadora. Foi nesse dia que pensei "oras, não é que existem tatuadores mulheres". Eu nunca tinha visto antes, e na minha cabeça eram só homens. Interessada, comecei a correr atrás de estúdios - pois eu sempre desenhei minha vida toda, sempre gostei de tatuagens, então seria juntar duas coisas em uma.

2 - Qual foi a vantagem de ter um background no desenho, antes de começar a tatuar?

Sou formada em desenho industrial, trabalhei como ilustradora freelancer, e antes de qualquer dessas coisas, eu trabalhei muito como quadrinista. Eu era desenhista de mangá (quadrinhos japoneses). Fazia revistas, ilustradora free lancer etc. Então, quando fui para a tatuagem, trouxe comigo meu estilo de desenhar e pintar - lógico que há adaptações, mas a essência do meu desenho não mudou.

3 - Qual é a maior dificuldade desde o inicio que decidiu aprender a tatuar, você já sofreu algum tipo de preconceito no meio da tatuagem?
Lidar com clientes, pois desenhar no papel é apenas você consigo mesmo. Tatuar não é apenas 'rabiscar' os outros - você precisa lidar com pessoas, com gostos e vontades diferentes das suas. Então, nem sempre você consegue tatuar o que acredita ser a melhor opção. Com relação ao preconceito, quando os clientes chegam na loja procurando um tatuador, e não conhecem meu trabalho, ficam receosos por eu ser mulher, e não ter os dois braços cobertos de tatuagens.

4 - Você acha importante participar de convenções, qual sua opinião a respeito?
Sim. No ano de 2009 participei da convenção do Leds, Expo Life for Tattoo Needles Fest , Expo Tattoo. Em 2010, participei da Expo Life for Tattoo, onde ganhei meu primeiro premio.

Eu acho que a convenção serve de uma ótima maneira de propaganda. Várias pessoas sempre me procuram para tatuar após uma convenção - foram nela, viram os trabalhos, conheceram o nome do estúdio e aí vão me procurar. Quanto a isso, não reclamo. Mas o que vejo nas convenções é muita competição por prêmios, tirando talvez o enfoque do que poderia ser uma convenção. Em alguns eventos que já fui, eu vi isso claramente. Não havia competições, muito menos o espírito competitivo que sempre vejo. Havia sim tatuadores conversando com tatuadores, trocando idéias e informações. É isso que acredito que faça falta.

5 - O que significou para você este primeiro prêmio recebido na tatuagem?
Foi algo muito feliz, especialmente aquele trabalho. O cliente começou a se tatuar comigo desde meu início como tatuadora, sempre confiou no meu trabalho, então ganhar, mesmo que em segundo lugar, foi muito gratificante.



6 - Tatuadores preferidos?
Admiro muito o Mauro Nunes, Maurício Theodoro, Gustavo Rizeiro, Mario Jorge Maciel, Dionel, Julio Cesar, Mauro Crazy, Shige, Uncle Allan, Gogue, Sabine, Fabio Boleto, entre outros.

 

7 - Quais são suas paixões além da tatuagem?
Gosto muito de desenhar, ler quadrinhos e livros, ver filmes e ouvir musica. Além disso, eu praticava motocross, por motivo de uma operação tive que me afastar por dois anos. Mas pretendo voltar em breve.


8 - Qual a trilha sonora de uma boa sessão de tatuagem?
Gosto de Led Zeppelin, U2, David Bowie, Rolling Stones, Depeche Mode, Garbage, Portishead, Sneaker Pimps.

 

9 - Já se tatuou com quem e gostaria de se tatuar com quem?
Já me tatuei com a Lia, da Banzai, e com Mario da Tattoo You. Gostaria de ter um braço fechado com o Shige, do Yellow Blaze.

 

10 - Como é ser tatuadora no Rio de Janeiro?
Frustrante, muitas vezes. Você se esforça para fazer seu melhor trabalho, e há clientes que não passam protetor solar.


11 -No studio Art Factory, onde você trabalha, convivem diversos artistas. Como é o seu relacionamento com os tatuadores do studio? Você aprende muito com eles? Eles aprendem com você?
Me dou bem com todos eles, o que acho que é imprescindível em qualquer estúdio. Trocamos muitas informações, estilos de tatuar, referências... Aprendo muito com eles, e espero que o pouco que sei também possa ajudá-los.

12 - Agradecimentos?
Aos meus amigos, minha família, e meus companheiros e amigos de trabalho, equipe Art Factory.